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[3 vídeos] Como dar a primeira aula de violão

Eu acredito que o professor não deve ensinar a ver o que ele vê. Ele deve criar um caminho generoso, onde o aluno seja co-autor de sua caminhada. Mas não é tão fácil… Eu que o diga! Muitas vezes isso é uma construção “contra intuitiva”, simplesmente porque requer estratégias que podem ser as mais simples, mas ainda assim são pouco óbvias. Ou até são óbvias, mas tem sua importância menosprezada. Seja como for, o fato é que eu mesmo já tive muitas dificuldades para ensinar o violão. Foram anos em que nem mesmo me considerava um professor, mas apenas um violonista que dava aulas. Foram precisos alguns “aperreios” e algumas oportunidades, ainda que singelas, mas extremamente significativas. Nesse post mostro 3 vídeos com o conteúdo principal de uma primeira aula de violão.

Como eu disse, já me considerei muito ruim como professor. Não que eu não tivesse didática. Aliás, esta é uma distinção que considero fundamental. Ter uma boa didática nem sempre é sinônimo de ser um bom professor.

Primeira aula de violão: Didática não é tudo.

A didática não é tudo. Ser didático é um passo importante para se ter eficacia ao ensinar. Mas se o conteúdo não é o mais adequado, a paciência, a capacidade de explicar e a persistência terão seu efeito limitado.

A verdadeira didática envolve não apenas transmitir o conhecimento, mas sim construir este conhecimento junto com o aluno.

Não basta explicar. É preciso tornar o aluno protagonista.

Explicar e demonstrar são muito importantes, mas tão importante quanto é o conteúdo.

Didática é adjetivo. Conteúdo é substantivo.

Exemplo super comum: De que adianta mostrar todas as partes do violão, dizer todos aqueles nomes? Eu também apresento violão na primeira aula, mas o que mostro não são suas partes. O que mostro é sua versatilidade musical. O violão como acompanhamento ou como solista. Isso faz sentido, pois é música.

Outro exemplo: O “quão bem” se ensina um arpejo, acorde ou alguma teoria é adjetivo. Mas o “o que” se ensina é que faz a chavinha virar.

Por isso, sou avesso a se iniciar qualquer estratégia de ensino do violão por partituras ou acordes. Porque é pura teoria pra quem não toca. Teoria é tudo aquilo que mão se aplica na prática (Rubner Abreu).

O conteúdo aí está fora do aluno, deixando-o fora do seu papel de protagonista. O aluno precisa entender com perfeição cada passo dado. Precisa ser capaz de dominar até o ponto de se sentir dono do conteúdo dado. E assim simplesmente não dá…

Ensinar partituras ou cifras logo no início, pode ser útil, mas garanto que haverá muitos alunos que terão dificuldades com esta abordagem.

Como eu disse, eu mesmo já fiz isso inúmeras vezes. O que estou compartilhando aqui é um fragmento do que descobri após anos dando aulas e conhecendo materiais de outros instrumentos, além do principal: Testes e mais testes com meus alunos.

Ensinar técnica na primeira aula: É um avanço de sinal?

Eu passei muitos anos achando que sim, porque como diz o senso comum, técnica é para especialistas, e abordá-la de cara seria muito árido.

Entra aí, portanto um primeiro ponto que eu chamo de “contra intuitivo”, como mencionei no inicio. Na verdade descobri que a técnica deve ser a primeira coisa a se abordar. Não por ser técnica de violão. Mas sim TÉCNICA DE MOVIMENTO. Isso mesmo. Conhecer o mínimo a respeito do movimento dos dedos. Um mínimo (porém estratégico) mapeamento do movimento.

Segue abaixo um vídeo onde dou uma explicação geral a respeito deste assunto. O fato é que a simplicidade é irritante. Mas deixar de abordá-la complica as coisas para o estudante, pois permite que vícios se instalem logo no início. Veja o vídeo de 6 minutos abaixo, que gravei para alunos iniciantes:

Abaixo um resumo dos pontos mais importantes apresentados no vídeo acima:

1 – Movimento da pinça (dedo polegar com dedo indicador);

2 – Paralelismo entre as duas mãos  – Apesar de diferentes, percebe-se o movimento usando apenas indicador e polegar nas duas mãos, sendo que o polegar descansa e o indicador atua mais ativamente.

A técnica da mão esquerda fica mais fácil quando facilmente comparável à da mão direita. O inverso também é verdadeiro. E é isso que o vídeo acima mostra.

A “Pinça” aplicada à mão esquerda: “Apontando o Lápis”

Agora vou apresentar uma estratégia fantástica para você ensinar (ou aprender) o princípio da técnica da mão esquerda. Veja o vídeo:

Vamos aos passos apresentados no vídeo acima:

1 – Saber onde começa e onde termina o polegar;

2 – Saber colocar as pontas dos outros 4 dedos na altura da última articulação do polegar, ao deixá-lo apontando para o teto;

3 – Segurar um lápis ou caneta naquele ponto usando um dedo de cada vez.

4 – Trocar de dedo sem deixar o lápis cair.

Esta estratégia é 100% das vezes eficiente. Apenas uma vez ela não foi muito eficaz, pois meu aluno tinha tido uma fratura no polegar quando criança, que o fazia sentir dores ali. No mais a atividade é super eficiente e só precisa ser feita uma vez.

Depois disso, sempre que a postura da mão está incorreta, basta dizer. “Lembre-se do lápis”…

Como diz um ditado: Depois de ver não dá pra “desver”.

É o que acontece com a brincadeira do “apontando o lápis”.

A aplicação deste princípio da pinça no repertório.

Veja um curto exemplo de música assim no vídeo abaixo (veja até o fim, pois entra a parte “do professor” junto, que dá um resultado musical bem legal). Isso aí qualquer aluno acima de 9 anos consegue tocar numa primeira aula, desde que tenha a base correta, apresentada acima:

Considerações Finais

É bastante lógico que quanto mais o movimento das duas mãos se parece, mais será fácil executar movimentos. Ou seja, a coordenação motora fica menos complexa.

Isso é necessário no começo, porque o problema da coordenação motora geralmente não é de movimento, mas de falta de consciência do próprio corpo e também de excesso de complexidade das primeiras atividades e músicas. Com as bases corretas abrem-se portas que desafiam os pessimistas  “sem talento”, que saem rindo de orelha a orelha ao tocarem 4 músicas com perfeição logo na primeira aula…

Felicidades, bom proveito, e não deixe de participar, deixando sua opinião, pergunta, sugestão, crítica ou elogio nos comentários!

 

 

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